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Como o teu dia-a-dia pode contribuir para o burnout?

Há uma frase que ouço muito: "Sinto que estou sempre a correr e a apagar fogos."

Esta sensação vem quase sempre acompanhada de culpa. Acreditamos, em segredo, que se fôssemos mais disciplinadas, se acordássemos meia hora mais cedo ou se dominássemos a mais recente aplicação de produtividade, finalmente teríamos tudo sob controlo.

Mas e se a culpa não for tua? E se o problema não for uma falha de organização, mas sim o impacto do stress continuado?

Como se chega ao burnout sem dar por isso?

Ninguém decide chegar ao burnout. 

Chega-se aos poucos: uma semana mais pesada, um prazo que se prolonga, uma pausa que fica para depois. 

Cada dia, sozinho, parece suportável, mas no final é a soma de todos os dias que desgasta.

E como cada dia parece "normal", só damos por isso quando o cansaço já deixou de passar com o fim-de-semana.

O que acontece ao cérebro sob stress contínuo?

Quando vives rodeada de notificações ininterruptas, reuniões atrás de reuniões e prazos apertados, o teu cérebro pode começar a interpretar cada novo pedido como mais uma exigência a que tens de responder.

A sensação de que há sempre alguma coisa urgente para resolver pode manter o organismo num estado de ativação prolongada.

A resposta de alarme do corpo

Perante esta perceção de ameaça ou exigência contínua, o organismo pode ativar a resposta de stress.

O sistema nervoso simpático é ativado e são libertadas hormonas associadas à resposta de stress, preparando o organismo para responder à situação:

  • o ritmo cardíaco e a respiração aceleram;
  • os músculos ficam tensos;
  • a atenção afunila-se para a "emergência" do momento.

Esta resposta é útil perante situações de ameaça ou exigência pontual. O problema surge quando a ativação se prolonga e não existem momentos suficientes para recuperar.

Sem pausas suficientes para recuperar, pode tornar-se mais difícil escolher o que é realmente importante e acabamos a reagir ao que grita mais alto.

Quais são os primeiros sinais de burnout?

Reconhecer alguns destes sinais pode ajudar-te a perceber mais cedo que alguma coisa precisa de mudar.

  • cansaço que não melhora com o descanso;
  • dificuldade em concentrar-te e em tomar decisões simples;
  • irritabilidade, distanciamento ou sensação de "já não me importo";
  • perda de prazer no trabalho e no que antes te dava gosto;
  • sono alterado e tensão corporal frequente.

Cada pessoa vive isto de forma diferente e este texto não tem como objetivo fazer um diagnóstico. 

Mas reconhecer estes sinais pode fazer a diferença.

Como prevenir o burnout no dia-a-dia: 5 pequenos gestos

Não precisas de mudar toda a tua vida. É mais interessante integrares pequenos gestos, de forma repetida.

Convido-te a escolher um que faça mais sentido para ti e experimentares durante uma semana, percebendo o impacto que tem no teu bem-estar diário. 

  1. Reduz o ruído, aos poucos. Desligar tudo de uma só vez pode ser difícil, por isso começa por uma coisa que seja mais simples para ti, para aumentar as tuas probabilidades de adesão. Sejam as notificações das redes sociais, as do WhatsApp, as do Teams ou as do e-mail, cada alarme que silencias devolve-te um pouco de presença no que estás a fazer.
  2. Faz uma pausa de 10 segundos antes de reagir. Quando chegar um pedido "urgente", pergunta-te: "Isto é uma emergência objetiva, com consequências graves e irreversíveis se não agir agora? Ou sou eu apenas a querer responder?" E ainda: "Se eu responder depois de terminar o que estou a fazer, o que de pior pode acontecer?"
  3. Faz pequenas pausas ao longo do dia, com foco na respiração. Um ou dois minutos chegam, olhando para aquilo que há de mais natural ao pé de ti (seja o céu, uma planta ou um animal). Para o corpo, uma pausa é o sinal de que o alarme pode baixar.
  4. Expira devagar, como se soprasses por uma palhinha. Na expiração, solta o ar lentamente pela boca, em fio fino, mais lentamente do que inspiraste. Uma expiração mais prolongada pode ajudar a reduzir a ativação fisiológica e a criar uma sensação de maior calma. Experimenta antes de uma reunião ou a meio de um e-mail difícil.
  5. Cria algum espaço sem ecrãs antes de te deitares. Dá ao cérebro tempo para sair do modo “tenho de responder” e preparar-se para dormir.

Quando procurar apoio psicológico?

Se te reconheces nesta descrição e já tentaste "organizar-te melhor" sem resultado, pode ser sinal de que precisas de mais do que dicas de produtividade. 

Uma consulta de psicologia pode ajudar-te a compreender o que está a manter este ciclo e a desenvolver estratégias que façam sentido na tua vida.

Atendo presencialmente no Barril, perto de Torres Vedras, Ericeira e Mafra e também online, para todo o país. 

Se quiseres marca aqui a tua sessão.


Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre o stress e o burnout?

O stress está ligado às exigências que sentimos e pode diminuir quando a pressão baixa. O burnout está especificamente relacionado com o contexto profissional e resulta de stress crónico no trabalho que não foi gerido com sucesso. A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve o burnout como “um sentimento de exaustão, cinismo ou sentimentos negativistas ligados ao trabalho e eficácia profissional reduzida”.

 Como sei se preciso de acompanhamento psicológico?

Se o cansaço dura há meses, se afeta o sono, o humor ou o trabalho, e se as estratégias que já tentaste não resultam, vale a pena falar com um psicólogo.

Posso fazer consulta de psicologia online?

Sim. Atendo online para qualquer ponto do mundo, com a mesma qualidade de uma sessão presencial.

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